quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Novas Tecnologias e informação: um museu de velhas novidades?

Bem, como já não cozinho na primeira fervura, sou de uma época em que a maior fonte de informação eram os livros, e as redes de que fazia parte eram de grupos de pessoas que se encontravam "de verdade" para discutir o mundo e para fazer coisas, mais do que emitir opiniões sobre tudo o que por aí anda. Mas nem por isso sou um saudosista que nega as novas realidades. Sempre andei à procura das melhores formas de comunicar idéias, e quando mais novo, diversas foram as vezes que pensei em até ser jornalista.
Mas mesmo assim, as "novas tecnologias" me deixaram órfão várias vezes, profissionalmente falando. 
Minha primeira profissão foi laboratorista fotográfico, preto e branco e colorido. Na época, profissão que era uma garantia para uma vida toda... Que nada, vieram os "mini-lab's", laboratórios automatizados, e adeus profissão!!! 
Fui simultaneamente fotógrafo, evidentemente que com equipamentos analógicos. Então apareceram as câmeras digitais... e a popularização das mesmas reduziu o campo de trabalho imensamente. 
Aprendi a editar video em "ilhas de edição"... apareceram os programas de edição.
Sempre trabalhando com arte, fiz muita arte final manual, pinturas, aquarelas, desenhos... E me defrontei que quando chegava a uma agência de publicidade, nem olhavam para o portfólio: perguntavam que programa usava...
Sinceramente, durante um bom tempo me senti irmanado com os ludistas, muito afim de destruir essas máquinas e tecnologias todas que estavam aí para nos tornar mais frágeis e dependentes...
Mas essa sensação passa, é verdade. No "milênio passado", quando também criávamos zines e jornais estudantis ou comunitários, panfletos e cartazes, de quanta utilidade teria sido a atual tecnologia!!!! Lembro que tinha uma máquina de escrever Olivetti, portátil, e era um "luxo" pois podia escrever em duas colunas...O que hoje faço apenas clicando num ícone, era toda uma função: escrever em colunas, recortar,colar... e depois fazer o fotolito corrigindo manualmente(a nanquim) o que estivesse errado. Ou criar artes para serigrafar camisetas e cartazes, colando papel na tela de serigrafia... 
Fui aprender a admirar as tecnologias no ano de 1999, quando trabalhei junto com uma grande amiga, Aline, que era especialista em arte digital. Ficava encantado como ela conseguia cortar, colar, inverter cores, dimensionar tudo... o que teria levado muito tempo se feito manualmente, e que nunca teria ficado com a mesma qualidade.
E foi com outra colega, Mônica, que aprendi a lidar com o excel, que tive de usar muito quando fui
Conselheiro de Cultura e tinha que analizar o orçamento de dois ou três projetos por semana, para emitir pareceres.
Assim, aos poucos, fui me rendendo as "novas tecnologias". Primeiro, o computador era usado quase que como uma máquina de escrever e de diagramar, até que em 2003 passei a trabalhar em casa, e aderi a Internet. Mail e pesquisas enormemente melhoraram minha capacidade de circular pelo mundo. Passei a criar power points para cursos e palestras, e aos poucos fui me apropriando do Corel e do Paint. Sim, tenho que aprender o Photoshop e os programas de desenho digital. tenho que aprender a colorir digitalmente.Mas já tateio alguma coisa nessas searas.
Mas foi quando entrei na escola, em 2010, que me dei conta que tinha que usar melhor toda esta nova esfera da comunicação. 
Primeiro criei este blog, destinado a dar suporte as pesquisas dos alunos. Trabalho em postar e preparar materiais...para descobrir que apenas 2% dos alunos acessava o mesmo. Reflexão e abandonei o mesmo. Passei a trabalhar com o Face, incentivando os alunos a criar grupos para discussão e pesquisa. Estão dando mais certo, e já somos vários os professores que estamos usando esta ferramenta.
Sempre lembrando que ela é uma ferramenta, e não o objetivo final, nem da educação, nem da vida. Blogs, orkuts, face, msn e quem sabe quantas esferas mais ainda haverão de se criar nesse mundo virtual.
Mas vim saber quão hiper dimensionado pode ser estes espaços quando aconteceu este ano um fato trágico. Uma aluna de 15 anos, menina que não demonstrava ter nenhum problema, se suicidou. Tomou uma dose enorme de remédios, e o corpo dela não resistiu. No dia que aconteceu fiquei muito abalado e postei junto com uma foto dela o seguinte texto:
"...Esta menina se foi. Sim, assim, sem nos dar a chance de lhe ajudar, ou talvez nos dizendo aos gritos de suas dores, esta menina de olhar doce se suicidou. Sabia pouco dela, e me incomoda enormemente isso. Que diabos de professor sou, que não vi nada? Como uma escola inteira não consegue ver nada? que tipo de educação damos, preocupados em currículos, provas, testes, notas, avaliações, que não temos tempo de saber deles mais do que isso?
...Percorri algumas turmas para dar a triste noticia, e lhes falei a todos disso, mas também de quanto somos apaixonados por eles, de como nos preocupam seus futuros, de como nos sentimos impotentes quando não podemos fazer muita coisa, de como nos frustra saber que essa hora que estaremos juntos as vezes não significará nada... ou pode mudar tudo.
...Careço de religiosidade. Nada me consola; além de que se ler qualquer preceito religioso sei que a maioria ainda a condenará por ter se quitado a vida. Eu, na minha cabeça e coração sem santos nem rezas, terei apenas um vazio enorme.
...Gurizada: sou professor por que amo a vida e odeio a morte. Não vejo nada de redentor na morte. E sei que estes tempos as vezes são tão ruins, que muitas vezes nos sentimos todos tão perdidos, tão em becos escuros onde não há heróis,apenas solidões e decepções. Então, para que não tenhamos mais essa dor, para que a cadeira vazia e a chamada sem resposta não se repita, se cuidem. E quando precisar, contem com a gente...
 ...pois é, meus amigos. Fica difícil ser um professor humanista, tendo 32 turmas, 1000 alunos,e tendo que fazer mágica para sobreviver com esse salário indigno que recebemos. "Se" o modelo fosse outro,"se" pudéssemos ter dedicação exclusiva; "se" as escolas não fossem pouco menos do que depósitos, "se" a riqueza que nos leva a emprestar dinheiro a outros países primeiro chegasse a nossa gurizada, não haveria estas tristezas. Desculpem a franqueza, a sutileza hoje fugiu das minhas possibilidades... Verdade, Alcides, há cursos, e aprendi bastante sobre isso no Uruguay, esse pais que é ou era campeão em suicídios de jovens na América Latina. A meus amigos na política, por favor: instem aos governos a parar de discursar, e fazer o que tem que ser feito de verdade... se não, essas tragedias se tornaram cotidianas...e depois,se tornarão fatos, números, dados a esquecer em relatórios frios. Como tudo..."(5 de julho de 2012)
O texto teve 481 compartilhamentos e 43 comentários. E me fez mais amigo de muitos e muitos de meus alunos, que passaram a me contar de suas vidas, tão complicadas e solitárias. E de muitas outras pessoas que apenas me conheceram pelo texto, até de outras cidades bem distantes da minha.
Então, é claro que hoje sou adepto as novas tecnologias. Mas tenho certeza de que se quem as usa não tem uma atitude diferente perante o mundo, as mesmas apenas se tornarão um "museu de velhas novidades".

MAPA CONCEITUAL Texto "IDENTIDADE E DIFERENÇA A perspectiva dos estudos culturais"

Criar o mapa conceitual foi um desafio e tanto. Afinal, se fazer um resumo de um texto com tantas opiniões e questões é difícil, resumir a um esquema é mais difícil ainda. Na primeira parte do texto, não pude deixar de colocar uma imagem do livro "Sarajevo", do jornalista Joe Sacco, que escreve seus textos usando os quadrinhos como linguagem, e que descreve visualmente essas crises de identidade da região citada.
Por outro lado, identidade e diferenças são questões que sempre fizeram parte do meu dia a dia...Nascido em Buenos Aires, fui estudar no interior do Uruguay, depois vim para a fronteira e há vinte anos no Brasil, tenho certeza de que a migração e a vida em diáspora, cria novas identidades desestabilizadas e desestabilizadoras.
Inúmeras vezes tenho que ouvir "mas você não é daqui", evidentemente que causado pelo sotaque que teimosamente não consigo perder. Mas ao voltar ao Uruguay ou a Argentina, também não sou mais de lá. E vejo quão falsas são essas diferenças, pois como diz Daniel Viglietti:
"...tanta distancia y caminos//tan diferentes banderas
y la pobreza es la misma//la misma gente es que espera.."

sábado, 29 de setembro de 2012

PLAN CEIBAL: muito mais de que distribuir computadores

Video sobre os 5 anos do Plan Ceibal. Os números tem que ser dimensionados com o tamanho da população do Uruguay: meio milhão de "ceibalitas" é 1/6 da população uruguaia, em 3 anos. Seria como se no "riquíssimo" Brasil fossem distribuidos  trinta e três milhões em três anos.
Outro detalhe é que a "Ceibalita" incentiva a vontade de "ser professor".

BLOGUEANDO OUTRA VEZ

Depois de mais de um ano parado, volto ao Blog. Coisas da UFGRS, que na disciplina de Ensino e Identidade Docente  nos propõem usar esta ferramenta. Fico feliz por uma coisa: pelo menos aumentarei meu número de "leitores": obrigado colegas!
      Há apenas 3 anos "estou professor" em sala de aula em Escola Estadual, em Esteio, durante dois anos em três escolas, agora em uma só, a Escola Estadual Jardim Planalto, de Esteio. Professor formado como Bacharel em Escultura, decidi então fazer a licenciatura em Artes para poder trabalhar com a formação necessária. Não faço as disciplinas da FACED por obrigação(como tenho ouvido alguns colegas dizer) e sim por que quero entender em profundidade o quefazer do ensino.
    Comecei há mais tempo a trabalhar com Educação, no Uruguay em 1985 com Educação Popular, em entidades que faziam formação de lideranças de Associações de moradores, sindicatos e do Movimento estudantil. E desde 1992 junto ao Setor de Educação do MST, auxiliando na formação de Educadores Rurais e alfabetizadores, seja no DER(Departamento de Educação Rural, ligado a UPF) quanto no ITERRA, em Veranópolis. Além de ter trabalhado de 2004 a 2008 num Projeto Educação de Jovens e adultos no meio Rural, com uma turma de Ensino Medio e cinco Turmas de Ensino Fundamental, em assentamentos em Viamão, Julio de Castilhos, Piratini, Sant'Anna do Livramento e El Dorado.

       O blog foi criado como suporte para as aulas de artes que dou no Ensino Médio desde 2010. Como não existe material de suporte e pesquisa para artes na Escola, o mesmo serviria para que os alunos tivessem aceso à História da Arte e à divulgação da sua produção artística.
       Para organizar o "currículo" escolar de Artes, tive a liberdade de escolher o que iria ensinar. E estabeleci que seria história da arte e linguagens artísticas. Nada de "apenas experimentação", livre expressão, matéria menor. Tratar Educação Artística como matéria importante, criadora de conhecimento, e capaz de abrir portas da percepção, tão necessárias nestes novos tempos onde há milhares de informação pipocando na nossa frente. Bem como entender que "Linguagens artísticas" não são apenas "desenho livre" e passeios pelo pátio da Escola...
      No Primeiro Ano do Ensino Médio, da Pré história ate o Final da Antiguidade, tendo como linguagem artística o desenho: de observação, cópia, criação, natureza morta, figura humana, quadrinhos.
     No Segundo Ano do Ensino Médio, da Idade Média até o Século XX. Linguagens artísticas a pintura e a escultura.
    No Terceiro Ano do Ensino  Médio, Século XX até nossos dias. Como linguagens artísticas, a fotografia e o vídeo/cinema.
    Na Oitava Série do Ensino Fundamental, ensino da História da Música, e como produção em arte, criação de instrumentos, de painéis, pesquisas, projetos. E um projeto especial, chamado "Circuito Música na Escola", que leva artistas de modalidades musicais que a maioria dos estudantes desconhece para que participem de uma "audição" ou espetáculo.
  Além da sala de aula, saídas de campo, em visitas a museus, cinema, quadra da escola de samba...
    Para dar suporte a essa proposta, foi criado então este Blog. Mas descobrimos que a gurizada não era habitué do Blogs, e preferiam grupos no Face. Então migramos para lá.
   Junto a essas atividades pedagógicas, criadas a partir de uma soma de conhecimentos prévios à academia e experiências, bem mais do que do apreendido como estudante de artes, a luta na defesa da educação e de nossa profissão, através da mobilização sindical e da promoção da organização dos estudantes, nos seus grêmios estudantis.
  Nos opomos veementemente a implantação güela abaixo da reforma do Ensino Médio, com sua "politecnia" de faz-de-conta. Mas ao mesmo tempo, assumimos com outros colegas a proposta dos "seminários integrados", essa nova materia para a qual ninguém foi preparado.Além de preparar e produzir projetos multidisciplinares...E não estamos nos saindo tão mal, não!
 Bueno, quem me conhece já sabe que gosto de opinar, e bastante. E gosto de poder fazer isso na Universidade, já que sabemos que fora dela vivemos em tempos de desertos de debates de idéias e questionamentos. Como recém cheguei à Disciplina, espero poder contribuir sem bagunçar muito.
Ou não, afinal, os que viemos das Artes já temos essa prerrogativa: a de ser questionadores sempre.
 Boa Semana!
     Professor Alejandro Ruíz

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A IDADE MÉDIA E A ARTE

Última aula antes das férias, 3° anos... A Arte na Idade Média. É só clicar no seguinte endereço:
http://www.4shared.com/document/ynC4l8D4/Arte_idadeMdia_I.html
Boa leitura! 

domingo, 29 de maio de 2011

Alexandria


O filme que será utilizado como referência na prova dos 3° anos:
http://www.youtube.com/watch?v=HGYB5oZqUKU

A ARTE NO IMPERIO ROMANO


E para finalizar a Idade Antiga em Ocidente, Império Romano:
http://www.4shared.com/document/RSlmq-jB/arte_roma.html